Dom Henrique Responde: O que acontece após a morte?

Pedimos licença aos amigos e leitores para partilharmos este momento de dor e de consolação.
Na manhã deste domingo, 19, tomamos conhecimento do falecimento neste sábado, 18, do bispo de Palmares (PE), Dom Henrique Soares da Costa, aos 57 anos.

Destacou-se entre outras qualidades, como um exímio propagador do Evangelho, através das redes sociais, blogs, canais de televisão, etc. Bem sabia fazer uso das modernas tecnologias, para levar a todos a boa nova de Jesus Cristo.

O trecho a seguir, é de uma aula ministrada no canal do Prof. Felipe Aquino.

” Comenta-se: muita gente tem medo, outros curiosidade. Mas afinal, o que a Igreja ensina?

Inicialmente não precisa ter medo, porque a morte nós plantamos na vida. Se a minha vida é uma procura por Cristo, é uma amizade com Cristo, não há que se ter medo.

Santa Terezinha dizia tão bonito: não é a morte que virá me buscar, é o bom Deus. Eu não morro, mas entro na vida.
A morte se torna bendita.

Cristo morreu como nós, para que a gente não morra sózinho. Nós morreremos com Cristo. E isto não é uma teoria, porque já estamos no corpo de Cristo desde o Batismo, onde foi plantada em nós a semente da imortalidade. O Espirito Santo recebido na água do batismo é alimentado na eucaristia. Por que a vida é dinâmica, o Espírito que eu recebo como vida no batismo, cresce como força na Crisma, e vai explodindo com o amor que se imola, que se dá, que se entrega, como Cristo na eucaristia, que vai ser coroada na vida eterna, na glória do céu.

A morte é uma ruptura, uma quebra. Não é fácil realmente.

Como eu sou um todo, corpo e alma, isto é uma violência, mas não sómente isso, é também uma ruptura com o mundo. O que sou eu sem o mundo? Nem consigo pensar.

Com a morte eu sou expelido deste mundo, saí deste mundo, já não me encontram mais, no máximo um cadáver. E eu, para onde fui? É algo que se olharmos sem a perspectiva da fé, é apavorante. É também ruptura com as pessoas que eu amo, com meus planos.

Mas, imediatamente após a nossa morte, na nossa alma, no núcleo do nosso eu, nós estaremos com Cristo.
Se eu, fui aberto pra Cristo, estarei com Ele para sempre, já estarei naquele estado de vida de Cristo, de plenitude, que nós chamamos de céu.

Ou, se eu vivi fechado para Cristo, pensando comigo: a vida é minha e eu faço o que eu quero, então, eu me torno incapaz de comunhão com Cristo, e estar longe de Cristo, é o que em Teologia nós chamamos de inferno. É perdê-lo eternamente.

Mas, se no abraço que eu dou em Cristo, apesar de tê-lo buscado e amado, ainda tenho que purificar pequenos vícios, pequenos pecados de estimação, pequenas imperfeições, no abraço que Cristo me dá, que está para além do tempo, da duração, do espaço, este abraço é purificador, purgatório, mas para entrar na comunhão com Ele.
É isto o que acontece. Basta saber isso: nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma, nos poderá separar do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus.

O como, descrever, é impossível.
Às vezes, escutamos pessoas que dizem: morri, vi como era e voltei. Não morreram. Se morressem, não voltariam para contar como era. É uma experiência de quase morte, onde o nosso cérebro, o nosso inconsciente libera uma série de imagens, onde fazemos elaborações, mas são coisas deste mundo. Quem foi lá, não volta para contar, e, quem está contando nunca foi lá.

Falamos por imagens, por aproximação. Mas, para o cristão, o que importa é isso: morrer é partir para estar com Cristo. Isso é o que interessa.

Que Nossa Senhora o acolha, e que o senhor possa contemplar de junto de Deus, nossas lutas, nossos caminhos a percorrer, intercedendo por nós.

Inscreva-se em nossa newsletter

Receba conteúdo exclusivo

Sua inscrição foi recebida

Precisa de ajuda?