XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Olá, queridos irmãos e irmãs.
Estamos de volta, trazendo o que pessoalmente considero um valioso tesouro e uma pérola preciosa.
Mais uma belíssima homilia de D. Henrique Soares da Costa.
São palavras de um riquíssimo conteúdo que ouso repeti-las, para que nada se perca.
Farei isso em dois momentos para que tenhamos tempo de reflexão:

Hoje, o Evangelho nos apresenta Jesus como a plenitude da compaixão de Deus no nosso meio. Multiplicando os pães, Ele realiza de modo pleno aquilo que Moisés e Elias, os mesmos personagens da Transfiguração, representantes da Lei e dos Profetas, já haviam realizado: Moisés deu de comer ao povo no deserto; Elias sustentou com alimento a viúva de Sarepta, durante todo o tempo da seca em Israel.

Aqui abro um parêntese:
Convém dar uma olhada no final do capítulo 15 do Livro do Êxodo, que fala da caminhada no deserto, bem como no capítulo 16, que fala do maná e as codornizes; que servem para ilustrar a providência especial de Deus pelo seu povo. Celebrado nos Salmos (77,24s) e na Sabedoria, o alimento do maná tornar-se-á para a tradição cristã (cf. Jo 6, 26-58), a figura da Eucaristia, alimento espiritual da Igreja, o verdadeiro Israel, durante o seu êxodo terreno.
Quanto ao fato ocorrido com Elias, em Sarepta, o milagre da farinha e do óleo, ver I Reis, 17, 7-16.

Ora, Jesus é aquele que nos alimenta em plenitude, é o Messias prometido a Israel e à humanidade. Como o Bom Pastor, de que fala o Salmo 22, ele faz seu rebanho descansar na relva mais fresca e lhe prepara uma mesa. Seu alimento não se reduz ao pão. Primeiro nos alimenta porque sente compaixão de nós, de nossa pobreza e indigência: “Viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”. ( Mt 14, 14 ). Mais do que de pão, é de amor, de ternura e compaixão que o Senhor nos alimenta! Alimenta-nos também com sua Palavra de vida eterna: vê a multidão cansada e abatida como ovelhas sem pastor e ensina-lhe, fala do Reino até o entardecer..
Olhando o nosso Salvador, vemos cumprir-se nele o convite tão terno, tão comovente do Deus de Israel: “Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, e alimentai-vos bem, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga!”. (Is 55,1).

Que belo convite! Num mundo no qual tudo é pago, tudo gira em torno do lucro, tudo tem a preocupação do retorno econômico e do interesse (até nas seitas por aí a fora, o dízimo é a chave de entrada no Céu), o Senhor se revela graciosamente! Quem dera, o mundo compreendesse esse amor apaixonado de Deus que se manifesta em Jesus! Quem dera se reconhecesse faminto e sedento! Quem dera se deixasse interpelar: “Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção e alimentai-vos bem! Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida!” (Is 55,2s). Infelizmente, o nosso é um mundo cansado, mas também auto-suficiente, prepotente, que pensa poder sozinho, do seu modo se saciar e viver de verdade! Também nós, nas nossas pobrezas, tantas vezes fugimos do Senhor, ao invés de correr para ele, nosso Poço, nossa Água, nosso Pão, nosso Refrigério!

Mas, nós, cristãos, sabemos que em Cristo Jesus encontra-se a vida, encontra-se o verdadeiro caminho, a verdadeira vida do mundo! É isso que São Paulo exprime com palavras comoventes: “Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? Em tudo isso somos mais que vencedores, graças a àquele que nos amou!” É por essa experiência do amor tão terno e presente de Jesus na nossa vida que somos cristãos! Deixemos-nos saciar pelo Senhor e experimentaremos que “nem a morte, nem a vida, nem o presente nem o futuro, nem outra criatura qualquer, será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor!”.

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